Cleoníce Orlandi é a escritora encarregada de contar a história de Mirassol. Sua pesquisa já se estende por mais de um ano, analisando milhares de documentos e fotos, colhendo depoimentos e tudo que possa resgatar um pouco dos acontecimentos que marcaram o crescimento da cidade e a cultura do povo mirassolense. O Livro dos 100 Anos ainda não foi lançado, o que deverá ocorrer até o final do ano. Mas um dos trechos liberados pela escritora já permite prever o sucesso da obra. Cleoníce Orlandi descreve assim a fundação do município..."Nos tempos que vamos descrever, as propriedades agrícolas eram imensas, muitos alqueires, quilômetros de divisa entre as propriedades. Os moradores confinados em suas terras eram separados dos vizinhos mais próximos por intermináveis capões de mata cerrada. Os veículos, primitivos troles, carros de boi, charretes e carroças moviam-se com dificuldade por estradas inexistentes. Era melhor ir a pé. Domingos e feriados eram passados como numa segunda-feira qualquer. Sem passeio, sem ver gente diferente, sem lazer.
Visitavam-se as famílias vencendo distâncias enormes, por trilhas onde se caminhava em fila indiana, somente para sentirem-se ligados de alguma forma ao resto do mundo.
O surgimento de cidades acontecia como necessidade imperiosa de quebrar o isolamento. Um proprietário buscava consorciar-se aos proprietários vizinhos; cada um oferecia alguns alqueires na confluência de seus territórios, formando ali um descampado, espécie de campo neutro. Sem dono, mas de todos.
Nesse espaço fincava-se uma cruz, erguia-se uma pequena capela e, quando a folhinha apontava o fim de semana, ao invés de uma família visitar a outra em sua residência, o encontro de três, quatro ou mais famílias acontecia neste campo comum, o que encurtava distâncias e aumentava o número de pessoas envolvidas.
Namoros e depois casamentos aconteciam entre os filhos que se conheciam nessas reuniões. O novo casal quase sempre ganhava um terreno na confluência das propriedades; construía ali sua casa, iniciando uma vila ou patrimônio, conforme a fala dos antigos. Uma casa, um boteco, um comércio...". Foi assim o nascimento de Mirassol, que começou com uma cruz fincada onde é hoje a Praça da Matriz, num encontro promovido por seus fundadores, Joaquim da Costa Penha (o Capitão Neves) e Vitor Cândido de Souza.
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Segue texto resumido da obra do historiador mirassolense Ariovaldo Corrêa, intitulada "Mirassol - Estruturas e Gravuras"
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"No princípio era a mata virgem. Mata-Una. A terra não estava, pois, vazia e nua, como antes do princípio... Disse Joaquim da Costa Penha, alcunhado Capitão Neves: 'façamos uma clareira em meio da mata, derribando perobeiras e tamburis, cedros e paus d'alho. E fez-se a clareira'. E viu o fundador que a terra era boa. E ali plantou a Cruz de Cristo, para assinalar o nascimento da cidade. E o fundador chamou a cidade de "São Pedro da Mata-Una". E, de manhã à tarde, era o primeiro dia: 8 de setembro de 1910.
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